Titereiros 5

Titereiros5

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– Um dia?

– Sim, apenas um dia.

O dia da prova do concurso público de Edimilson era no próximo domingo, por isso ele pediu uma entrevista paga e urgente para falar do seu problema com o CEO da Titereiros. Ele precisava de alguém que fizesse a prova por ele.

– Concurso para quê? – perguntou o empresário.

– Para o fórum trabalhista. – respondeu o estudante. – Eu já estou estudando há quatro anos. Quatro anos! Não posso perder esta oportunidade!

– Hmmm, mas se não me engano houve outro concurso público para o fórum trabalhista há uns dois ou três anos atrás, não?

– Sim, eu estudei e fiz a prova… e não passei.

– Ah, e por acaso não estudou o suficiente?

– Pelo contrário. – o estudante franziu o cenho. – Estudei muito, com um ano de antecedência à prova! Eu fazia os simulados e tirava noventa por cento de acertos… uma vez consegui tirar cem por cento!

– E por que não passou?

– Não sei! – exclamou Edimilson. – Eu simplesmente travei… deu um branco… não consegui acertar nem trinta por cento na prova real!

– Entendo. – o empresário sorriu. – E agora haverá uma nova prova no próximo domingo…

– Exato! E eu preciso passar! Já estudei tudo o que tinha de ser estudado, mas simplesmente não consigo fazer a prova real! Por favor, quero contratar os serviços da Titereiros para passar nesta prova! Você precisam me ajudar! Só com este emprego público eu, enfim, terei paz!

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O Diário Oficial trazia os nomes daqueles que haviam passado no concurso de escriturário do Fórum Trabalhista de Belo Horizonte. Edimilson Gomes da Cunha estava entre eles, ostentando o glorioso primeiro lugar.

– Você conseguiu! Eu disse que conseguiria! – a mãe do novo funcionário público o abraçava. – Valeu a pena ter estudado tanto, não é?

– Com certeza! – disse o rapaz, muito feliz. “E valeu a pena contratar o serviço da Titereiros!” – ele pensou. – Agora preciso apenas esperar ser chamado para tomar posse.

– Enfim um emprego decente! Três mil reais e quinhentos, querido! – a mãe transbordava de felicidade. – Chega de ficar mendigando salários mínimos nestas empresinhas horríveis! Chega de ficar com medo dos cortes nos orçamentos. Agora você é um funcionário público! Estável… bem pago… que bom! Fico tão feliz em ver que você chegou ao seu auge!

– Eu também, mãe. – Edimilson esboçava um sorriso discreto de quem fez o seu dever e pode, enfim, relaxar. – Eu também.

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– Um dia?

– Sim, apenas um dia.

Dois anos atrás Edimilson havia pedido os préstimos da Titereiros para conseguir passar no concurso de Escrevente Técnico do Fórum Trabalhista. Porém um novo edital foi publicado e estavam abrindo vagas para Analista.

– Quero crescer na vida, sabe? – justificou o homem. – Não que o salário atual seja ruim, mas sempre queremos mais, não é mesmo?

– Sem dúvida! É para isto a que serve a Titereiros! – o empresário sorriu e verificou o cadastro do seu antigo cliente no computador. – Aqui! Você certamente estudou muito neste meio tempo, não é?

– Sim.

– E tem medo de falhar na prova?

– Sim.

– Muito bem. O dia da prova é no primeiro domingo de setembro, correto? Sem problemas! Iremos providenciar que o nosso funcionário acesse as informações que você estudou e faça a prova por você. Verá que vai conseguir outro primeiro lugar, senhor escrevente!

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O Diário Oficial trazia os nomes daqueles que haviam passado no concurso de Analista do Fórum de Belo Horizonte. Edimilson Gomes da Cunha estava entre eles, ostentando o glorioso primeiro lugar.

– Você conseguiu! Eu disse que conseguiria! – a mãe do mais novo analista o abraçava. – Valeu a pena ter estudado tanto, não é?

Com certeza! – disse o rapaz, muito feliz. “E valeu a pena contratar o serviço da Titereiros!” – ele pensou. – Agora preciso apenas esperar ser chamado para tomar posse.

– Nem acredito… seis mil reais, fora os benefícios! – a mãe transbordava de felicidade. – Agora sim podemos pensar em financiar uma casa melhor! E podemos até começar a cogitar férias no exterior. E nada de crediário, vamos poder juntar dinheiro e pagar as férias à vista! Você é mesmo o melhor, meu querido! Sabia que conseguiria ir mais longe ainda. Fico tão feliz em ver que você chegou ao seu auge!

– Eu também, mãe. – Edimilson esboçava um sorriso discreto de quem fez o seu dever e pode, enfim, relaxar. – Eu também.

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– Um dia?

– Sim, apenas um dia.

Três anos e meio atrás Edimilson havia pedido os préstimos da Titereiros para conseguir passar no concurso de Analista. Porém um novo edital foi publicado e estavam abrindo vagas para Fiscal do Trabalho.

– Quero crescer na vida, sabe? – justificou o homem. – Não que o salário atual seja ruim, mas sempre queremos mais, não é mesmo?

– Sem dúvida! É para isto a que serve a Titereiros! – quem conversava com ele era um assessor do CEO da Titereiros, que naquela altura já não tinha tempo de falar pessoalmente com todos os seus clientes devido à enorme demanda da empresa. – Você certamente estudou muito neste meio tempo, não é?

– Sim.

– E tem medo de falhar na prova?

– Sim.

– O dia da prova é no segundo domingo de abril, correto? Iremos providenciar que o nosso funcionário acesse as informações que você estudou e faça a prova por você. Verá como, mais uma vez, conseguirá passar.

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O Diário Oficial trazia os nomes daqueles que haviam passado no concurso de Fiscal do Trabalho do estado de Minas Gerais. Edimilson Gomes da Cunha estava entre eles, ostentando o glorioso primeiro lugar.

– Você conseguiu! Eu disse que conseguiria! – a mãe do funcionário público o abraçava. – Valeu a pena ter estudado tanto, não é?

– Com certeza! – disse o rapaz, muito feliz. “E valeu a pena contratar o serviço da Titereiros!” – ele pensou. – Agora preciso apenas esperar ser chamado para tomar posse.

– Tre-treze… treze…mil… re-reais…! – a mulher até gaguejava. – Treze mil! Sabe o que isto significa?! Uma cobertura duplex! Um… dois… três carros do ano! Roupas de grife! Joias! Restaurantes caros! Ooooh! – a mãe transbordava de felicidade. – É maravilhoso! Sabia que conseguiria ir longe, meu garotinho! Fico tão feliz em ver que você chegou ao seu auge!

– Eu também, mãe. – Edimilson esboçava um sorriso discreto de quem fez o seu dever e pode, enfim, relaxar. – Eu também.

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– Um dia?

– Sim, apenas um dia…

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