Trova de Guerra

O caminho que eu segui foi criado por meus próprios pés.

Pavimentado com o peso de minhas botas.

Carreguei em minhas costas o peso dos meus sonhos e da minha realidade.

Não sei qual dos dois foi mais pesado.

 

Vi homens que guardavam seus sonhos em garrafas.

Bebendo o conteúdo estagnado e sem sabor.

Embriagando-se e sorrindo.

Instantes mínimos de felicidade.

 

Ouvi pessoas gargalhavam risadas mudas.

Porque sua pouca felicidade incomodava.

Os esfomeados por alegrias tentavam lhes tirar o pouco que tinha.

Na partilha, somente o pão da desgraça é dividido.

 

Senti o cheiro de cadáveres antigos.

Caídos em batalha com a mesma expressão que ainda tinham em vida.

O olhar de desesperança não desaparece após a morte.

Como diferenciar os mortos dos vivos?

 

Provei o sangue dos meus inimigos.

E um pouco do meu.

Uma bênção maldita para os que têm sede.

Quase tão enojante quanto ter de engolir a vida.

 

Senti o aço frio e afiado penetrando a minha carne.

E senti culpa.

Poderia morrer enquanto tantos dependiam de mim?

Pedi desculpas à morte e disse que voltaria outra hora.

 

Escrito por Aeranna, soldado durante a Grande Guerra

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s