Por quê?

Por que ler um livro inteiro?

Poucas pessoas hoje em dia têm tempo de ler seus próprios pensamentos, que dirá duzentas páginas impressas de palavras de fonte pequena. O tempo custa caro, muitas vezes mais caro que um livro de capa dura e páginas coloridas.

Desaprendemos a desperdiçar o tempo.

Por que ler um livro?

Há uma vida lá fora a ser vivida… mal vivida… enquanto os mundos dentro das páginas dos tomos só me fazem perceber a extensão da minha inabilidade em aproveitar a existência. Eu leio e invejo todos os personagens, por mais difícil que seja a sua situação. Eu invejo a alagoana Macabéia, o herói Ulisses e o hobbit Frodo.

Minha vida poderia ser um livro também. Chato, entediante, cliché… mas ainda assim um livro.

Por que ler?

Tenho cinco sentidos, talvez mais, e quando leio o verdadeiro esforço recai sobre apenas um: a imaginação.

O que eu ganho lendo Fernando Pessoa do que a passageira satisfação de sentir que sou compreendida? O que eu ganho lendo Terry Pratchett do que discretos sorrisos diante do bom humor inglês? O que eu ganho tentando descobrir quem é Godot, mesmo sabendo que ele também nunca chegará para mim?

Por quê?

Por que tantas perguntas?

Por que tantas justificativas?

Ambas as ações, as discussões e a leitura de livros, parecem ter um único motivo: eliminar o tédio.

O tédio é a maior das crises existenciais.

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